PELO FIM DA JORNADA 6X1
POR QUE OS TRABALHADORES DO SERVIÇO PÚBLICO DEVEM APOIAR O FIM DA JORNADA 6X1, SE A GRANDE MAIORIA JÁ TRABALHA EM ESCALA 5X2?
Ainda que a maioria dos servidores públicos trabalhe na jornada 5×2 (ou regimes de 30h e 40h semanais), o apoio ao fim da escala 6×1 não é apenas uma questão de “solidariedade”, mas de estratégia política e consciência de classe.
COMBATE AO “REBAIXAMENTO” DOS PADRÕES DE TRABALHO
Seja no setor público ou no privado, somos todos classe trabalhadora. Quando as condições de trabalho no setor privado são degradantes, como ocorre na escala 6×1, cria-se uma pressão para que o serviço público também seja precarizado.
Se o setor privado opera sob o regime 6×1, discursos populistas ganham força ao rotular a jornada 5×2 do servidor como um “privilégio inaceitável”, em vez de um direito que deve ser estendido a todos. Ao lutar pelo fim da 6×1, o servidor garante que o padrão de bem-estar social se eleve, protegendo sua própria jornada de futuras tentativas de retrocesso.
A UNIDADE DA CLASSE TRABALHADORA
A consciência de classe pressupõe entender que a divisão entre o “público” e o “privado” é uma barreira artificial, que serve apenas para enfraquecer as reivindicações trabalhistas.
O servidor público atende, em sua maioria, trabalhadores do setor privado. Um trabalhador exaurido pela jornada 6×1 adoece mais (sobrecarregando o SUS) e tem menos tempo para acompanhar a educação dos filhos (impactando as escolas públicas). Se os trabalhadores da iniciativa privada conquistam a redução da jornada, o poder de negociação de toda a classe aumenta; vitórias na CLT historicamente impulsionam ganhos nos Estatutos dos Servidores.
SAÚDE PÚBLICA E IMPACTO SOCIAL
O servidor público, especialmente em áreas como Saúde, Assistência Social e Segurança, lida diretamente com as consequências da jornada 6×1 na população. A escala 6×1 é um dos maiores vetores de Burnout e depressão. Apoiar o fim dessa jornada é apoiar uma política de saúde preventiva para a nação.
Além disso, o fim da 6×1 permite que as famílias tenham tempo de lazer e convivência. Isso reduz a vulnerabilidade social e facilita o trabalho de base realizado por diversos órgãos públicos. A redução da jornada semanal sem redução salarial (consequência natural do fim da 6×1) também estimula a economia a gerar mais postos de trabalho para cobrir as escalas.
POR UMA JORNADA DE TRABALHO DIGNA PARA TODOS
O servidor que ignora a luta contra a escala 6×1 esquece que ele é, antes de tudo, um trabalhador. Se a precarização avança no setor privado, o serviço público torna-se uma ilha cercada de ressentimento social, o que facilita o desmonte de direitos e as privatizações. Apoiar o fim da 6×1 é defender a dignidade do trabalho como um valor universal.
Sintraseb | Em defesa do serviço público!
